História

FORMAÇÃO HISTÓRICA

As terras que deram origem a Serrolândia foram desbravadas por membros das famílias Moreira e Vieira. Esta última é também conhecida por “negros do Manoel Dias”.

Em 1927, habitava na fazenda denominada Várzea d’Água, município de Jacobina, o casal Jerônimo Moreira Mota e Zulmira Marcela Jordão. Apesar da densa floresta que existia na referida fazenda notava-se, em suas proximidades, a presença de um monte que, por sua evidência, despertava a atenção daqueles moradores.

Como de costume, eram comuns os encontros recíprocros dos compadres, parentes ou amigos em suas casas para o bate-papo habitual. Aconteceu então que, juntos o Sr. Jerônimo e sua esposa D. Zulmira, acompanhada de seu irmão Dionísio, observando a bonita paisagem que rodeava a fazenda, viram sobre aquele monte uma compacta camada de neblina, dando a impressão de que fosse um grande manto estendido sobre as pedras, oferecendo à paisagem uma fascinante aparência.

Encantado com o fenômeno, o Sr. Dionísio, motivado por um sentimento religioso, pronunciou com seu estilo típico a seguinte expressão: - “Aquilo tá pedino arguma coisa, Jerôme”!

Diante do fato ocorrido e daquela expressão argumentada por seu cunhado, o Sr. Jerônimo resolveu, com seus próprios esforços, erguer sobre o monte uma grande cruz de madeira e, em seguida, atribuiu o nome “Serrote” àquele local. Este nome teve origem em virtude daquela pequena serra onde foi fixada a cruz. Tovadia, o Sr. Jerônimo ainda não idealizava a possibilidade de ser instalada naquele lugar nenhuma aglomeração.

Após haver erguido o cruzeiro, o Sr. Jerônimo convidou o Padre José Antonio de Almeida, da Paróquia de Riachão de Jacobina, para fazer a benzedura da cruz, pois para muitas pessoas dotadas de reverência o lugar já estava sendo considerado sagrado. O pároco pediu então que abrisse um caminho mais amplo para facilitar o acesso das pessoas ao referido local. Foi feito, conforme o pedido, pelo Sr. Jerônimo, uma variante começando de sua fazenda, que ficava próxima à lagoa Várzea d’Água, até o monte onde de encontrava a cruz.

Já com perspectiva voltadas para o futuro e por achar conveniente a ideia de ali se formar um arraial, em 1929, o Sr. Jerônimo resolveu convidar algumas pessoas para fazerem uma roçagem perto do monte, dessa vez com o objetivo de se fundar um comércio, prometendo, ainda, que daria um chão de casa a cada um que ajudasse na brilhante iniciativa.

A princípio a idéia não agradou a todos, surgindo, inclusive, algumas divergências com um parente do Sr. Jerônimo. Aquele parente, conhecido como José Moreira, discordava da ideia de se fazer um comércio anquele local, alegando que atingiria seu terreno, chegando até ao ponto de ser intransigente na sua opinião. Mas o Sr. Jerônimo não desanimou em meio às dificuldades existentes. Mesmo tendo que enfrentar muitos ouricurizeiros para desbravar, não demorou muito para receber o apoio do dinâmico conterrâneo, Amaro Bispo Vieira, que por sua vez não mediu esforços para colaborar na realização do árdou trabalho. Entre outras pessoas que ajudaram a fazer a roçagem, temos: João Francisco Vieira, José Luis Vieira, José Luciano, Januário Vieira, Maurício Dias, Antonio Moreira etc.

Ao terminarem de fazer a roçagem, o Sr. Jerônimo e Amaro Vieira convidaram o delegado Manoel Serapião, que residia no distrito de Itapeipu, para marcar o quadro onde iriam ser construídas as primeiras casas. O Sr. Jerônimo cumpriu, então, a promessa feita anteriormente, doando alguns terrenos para o povo edificar suas casas.

Em novembro de 1929, inauguraram a roçagem com muita alegria, soltando foguetes e balões. A comemoração principal ficou por conta dos bumbeiros da família Vieira, tocando pífanos e batendo bumba. Em 25 de dezembro do mesmo ano, já com a presença de algumas casas de palhas, houve uma reunião para comemorarem o natal. Armaram barracas e festejaram a noite natalina com muita euforia. Além de outras barracas, estava a do Sr. Leopoldo Vilas Boas que, depois de festejos natalinos, continuou comercializando alguns produtos como: açucar, café, aguardente, querosene etc.

Em 1930, iniciaram-se as primeiras feiras livres, realizadas sempre aos domingos. Só mais tarde é que passaram a funcionar aos sábados. O primeiro fiscal foi o Sr. Manoel Domingos de Jesus.

 

APARECIMENTO DAS PRIMEIRAS HABITAÇÕES

Em 1930, surgiram as primeiras casas de telha, sendo proprietários os senhores Rosentino, José Luís, Nosinho e Leopoldo Vilas Boas. Aos poucos foram surgindo novas casas, de modo que o sonho daqueles pioneiros em verem a tão almejada formação do povo foi se concretizando lentamente.

Entretanto, o crescimento não perdurou, pois em 1932 apareceu a chamada “seca de 32” que assolou sem piedade o povo que habitava naquela região. Houve uma paralisação temporária mas, graças a Deus, em 1934, a esperança retornou ao Serrote. As grandes chuvas dissiparam o clamor daquele povo e dos animais, trazendo para aqueles principiantes um grande estímulo e, a partir de então, o povoado retomou seu ritmo normal de crescimento. Houve grande fartura, contribuindo, assim, para o progresso do Serrote.

 

PRIMEIRAS ORGANIZAÇÕES COMUNITÁRIAS

Desde o início do povoado a religião católica manteve-se sempre atuante em suas decisões. Levando-se em conta a preservação de suas crenças, tradições e outras manifestações religiosas, o povoado Serrote, embora ainda pequeno, sentiu a necessidade de um Padroeiro e, em 1930, reuniram-se todos os moradores daquela comunidade para escolher o seu padroeiro.

A partir daquela reunião, ficou escolhido o padroeiro São Roque. O que se sabe a respeito daquela escolha tem a seguinte versão: sabemos que São Roque é considerado o santo que protege as pessoas contra a peste. E na época que começou o povoado Serrote houve um grande surto de epidemia, caracterizada por uma doença conhecida vulgarmente por bexiga. Daí, por ser conhecido, segundo a crença popular, como protetor da pessoas contra a peste é que São Roque ficou consagrado como nosso padroeiro.

Durante a primeira semana das comemorações do novo padroeiro, o Sr. Leopoldo Vilas Boas convidou um amigo que residia em São José (na época, distrito de Jacobina) para vir ajudar fazer as novenas de São Roque. E, segundo a tradição, continuaram, ao longo de todos os anos, comemorando no dia 16 de agosto. Tornou-se, portanto, para o Serrote, a maior festa religiosa, não faltando devoção e reverência dos fieis que o veneram.

Após a criação do padroeiro, em meados de 1935, o Sr. Constantino Carneiro de Magalhães convocou os moradores daquela comunidade para construirem uma Igreja, que, no decorrer dos tempos, foi praticamente destruída por uma tempestade sendo mais tarde totalmente restaurada.

O tempo passa e o Serrote acelera seu processo de desenvolvimento. Mas, em 1952, a seca, grande inimiga do sertanejo, voltou a castigar a pequena população. Mesmo assim a esperança e a fé em Deus, que sempre reuniram o nordestino, não se acabaram. O povo tinha, realmente, anseios de fazer daquele povoado um grande lugar.

 

VILA SERROLÂNDIA

Pouco antes da ascenção do povoado Serrote à categoria de vila, aconteceu uma decisiva e importante mudança. Um dos primeiros habitantes, Waldetrudes Carneiro de Magalhães, considerando também um dos primeiros comerciantes locais, expôs uma brilhante ideia. Julgando o nome Serrote um pouco arcaico, propôs aos seus conterrâneos substituirem por Serrolândia. A proposta foi aceita por todos e através da Lei Estadual N° 628, de 30 de dezembro de 1953, o povoado Serrote foi elevado à categoria de vila.

A nova vila tinha que enfrentar o grande problema da falta de chuvas. Os recursos hídricos eram escassos, fazendo com que o povo sofresse grande calamidade. Tudo isso foi o bastante para que o DENOCS (Departamento Nacional de Obras Contra as Secas) sensibilizando com a situação calamitosa e atendendo as reivindicações do povo, desde o início, em 1950, à construção de um grande açude, vindo a ser concluido em novembro de 1958, atendendo, assim, a demanda daqueles necessitados. Após concluída aquela valiosa obra houve grande impulso no desenvolvimento da vila, atraindo para si um grande número de pessoas, o que resaltou num considerável aumento populacional.

Os produtos mais comercializados eram: ouricuri, farinha, feijão e mamona. O transporte desses produtos eram feitos através de carros-de-boi, carroças e, raramente, caminhões. O jegue, animal de resistência admirável, auxiliou bastante para o transporte das pessoas e dos produtos.

 

EMANCIPAÇÃO POLÍTICA DE SERROLÂNDIA

A vila Serrolândia pertencia ao município de Jacobina. No entanto, o povo começou a sentir a necessidade de atingir sua própria autonomia e, consequentemente, a escolha de um ligítimo representante para solucionar os problemas existentes.

Em 1962, o Deputado Francisco Rocha Pires levando em anteprojeto de lei de emancipação política de Serrolândia, e, em 25 de maio de 1962, foi realizado o plebiscito que confirmou a vontade do povo, através da maioria dos votos, favorável à sua emancipação política que foi logo reconhecida, desmembrando-se do município de Jacobina de acordo com a Lei Estadual Nº 1746, de 23 de julho de 1962, no governo do Exmº. Governador Gen. Juracy Montenegro Magalhães. Sendo primeiro prefeito o Sr. Florisvaldo Magalhães Sousa, eleito pelo antigo PR (Partido Republicano).

Respeitando a linha divisória do município de Jacobina, a sede de Serrolândia trouxe consigo os seguintes povoados: Quixabeira (atualmente, cidade), Maracujá, Salamim, Roçadinho e Jaboticaba. Este último foi desmembrado do município de Serrolândia e incorporado ao município de Quixabeira.

Depois de alcançada sua autonomia, Serolândia tomou novos rumos na conquista do progresso e de novas realizalções.

 

PRIMEIROS HABITANTES

Os primeiros habitantes de Serrolândia desempanharam um papel impostantíssimo na fundação da nossa cidade. Coragem, bravura e desejo de vencer não lhes faltaram. São eles: Jerônimo Moreira Mota, Amaro Bispo Vieira, Waldetrudes Carneiro de Magalhães, Leopoldo Vilas Boas, Agostinho Marques, João Batista de Sousa, João Francisco Vieira, Manoel Domingos de Jesus, José Luis Vieira, Costantino Carneiro de Magalhães, José Luciano, José Moreira e Antonio Moreira.

Alguns desses primeiros habitantes tiveram suas procedências dos seguintes lugares: São José, Itapeipu e da fazenda Manoel Dias. Dessa fazenda vieram todos os membros da família Vieira.

 

O FUNDADOR DE SERROLÂNDIA

Com o objetivo de documentar os acontecimentos passados e atuais de maneira correta e original, o autor tentou esmiunçar informações por toda parte. Localizou os protagonistas em diferentes lugares, adquiriu depoimentos de várias formas. Apesar de algumas controvérsias existentes nas entrevistas não foi dificil constatar o personagem a quem podemos atribuir o mérito de fundador de Serrolândia.

É inegável a participação ativa das famílias Vieira e Moreira na fundação de Serrolândia. Inclusive, um daqueles pioneiros, quando lhe perguntavam a respeito da fundação de nossa cidade, ele afirmava energicamente: - “Quem afundou Serrolândia foi eu”.

No entanto, entendemos como fundador de uma cidade aquele que primeiro idealiza e se coloca como voluntário à frente dos primeiros passos de sua fundação. Se recorrermos ao passado histórico de Serrolândia, concluiremos que houve um precursor e que, durante as lutas na tentativa de descoberta, destacou-se como principal personagem. Levando-se em consideração todas essas características, consagramos como fundador de Serrolândia o Sr. Jerônimo Moreira Mota. Nascico no dia 11 de outubro de 1890, no município de Miguel Calmon-Ba. Morreu aos 91 anos de idade, no dia 18 de abril de 1981, na cidade de Serrolândia-Ba.

 

FONTE:

REIS, Diomedes Pereira dos. Serrote de Ontem Serrolândia de Hoje. 2ª Ed. Press Color, 1994.